Engraçado como me sinto cada vez mais cansada. E não é da vida, não, é de não vivê-la. Se existe realmente algum sentindo nisso tudo, eu tenho o direito de saber. Não vou admitir minha impotência... Só posso aceitá-la, mas preciso de alguma razão pra isso.
Há muito tempo não escrevia. Há muito tempo não lembrava como era bom escrever. É como uma onda que quebra na praia e morre, se desfaz e logo me esqueço. Esse é o único ponto final que não dói.
Thursday, September 10, 2009
Wednesday, April 08, 2009
a hundred and more
acho que me permiti ser feliz
e é aqui que me despeço
se o hiato não for dos maiores,
fiquem felizes por mim
porque melancolia barata
é tudo o que exalo agora.
e é aqui que me despeço
se o hiato não for dos maiores,
fiquem felizes por mim
porque melancolia barata
é tudo o que exalo agora.
Wednesday, June 18, 2008
um passeio no passado
A verdade era que eu tinha medo, muito medo, por isso voltei a escrever. A distância entre o ontem e o hoje era imensa, quase dois anos, porém a sensação de perigo se repetia.
Não sabia muito bem o porque disso, mas tinha a mais profunda certeza de que não iria dar certo - talvez, até porque eu não quisesse, no fundo.
O fato é que ao chegar no apartamento, me sentei no sofá e voltei no tempo. Aquilo não poderia estar acontecendo de novo. Você nunca vai aprender? Você já não sofreu o suficiente? Quanto drama.
O olhar dele se perdia nas cores vibrantes da televisão. O olhar dele sempre se perdia quando estava por perto. As palavras sempre soaram falsas e os olhos sempre distantes. Era como se eu fosse uma figurante num filme que ele deveria estrelar.
Porque me procurou então? Para provar algo que não precisava e que eu, muito menos, ia mudar? Não foi por falta de tentar, quer dizer, até foi. Mas eu simplesmente não tinha capacidade, nem maturidade suficiente para agir de outra forma, sabendo de tudo o que eu sabia.
Porque eu sabia, e isso eu sabia muito bem, onde ele queria chegar quando me chamou pra conversar. E eu não ia fugir, eu nunca fugi.
O problema era que ele tinha tanta certeza quanto eu que aquilo não ia levar a lugar algum, aquilo não foi feito pra nos levar a lugar algum. Éramos apenas duas pessoas machucadas tentando suprir uma carência que deveríamos superar sozinhos.
Somente o abraço e os carinhos foram reais, e, de repente, nem isso foi. O que aconteceu foi um passeio no passado, um sonho relembrado - se é que se pode chamar isso de sonho.
Isso tudo porque a prova real de mudança não chegou e nem iria chegar.
Não sabia muito bem o porque disso, mas tinha a mais profunda certeza de que não iria dar certo - talvez, até porque eu não quisesse, no fundo.
O fato é que ao chegar no apartamento, me sentei no sofá e voltei no tempo. Aquilo não poderia estar acontecendo de novo. Você nunca vai aprender? Você já não sofreu o suficiente? Quanto drama.
O olhar dele se perdia nas cores vibrantes da televisão. O olhar dele sempre se perdia quando estava por perto. As palavras sempre soaram falsas e os olhos sempre distantes. Era como se eu fosse uma figurante num filme que ele deveria estrelar.
Porque me procurou então? Para provar algo que não precisava e que eu, muito menos, ia mudar? Não foi por falta de tentar, quer dizer, até foi. Mas eu simplesmente não tinha capacidade, nem maturidade suficiente para agir de outra forma, sabendo de tudo o que eu sabia.
Porque eu sabia, e isso eu sabia muito bem, onde ele queria chegar quando me chamou pra conversar. E eu não ia fugir, eu nunca fugi.
O problema era que ele tinha tanta certeza quanto eu que aquilo não ia levar a lugar algum, aquilo não foi feito pra nos levar a lugar algum. Éramos apenas duas pessoas machucadas tentando suprir uma carência que deveríamos superar sozinhos.
Somente o abraço e os carinhos foram reais, e, de repente, nem isso foi. O que aconteceu foi um passeio no passado, um sonho relembrado - se é que se pode chamar isso de sonho.
Isso tudo porque a prova real de mudança não chegou e nem iria chegar.
Monday, August 13, 2007
olhos no fundo do armário
me deixa ser seu bicho-papão.
aquele que te percegue,
te assusta e morde.
vou sair do armário;
ironizar minha existência contigo,
depois eu volto.
e, quando acordar, poderá dizer
'foi apenas um sonho'.
aquele que te percegue,
te assusta e morde.
vou sair do armário;
ironizar minha existência contigo,
depois eu volto.
e, quando acordar, poderá dizer
'foi apenas um sonho'.
Thursday, July 12, 2007
O Peixe
Como um peixe que respira fora d'água
Vejo tempo passar
E as pessoas mudando
Plantas crescendo
Mas o peixe continua onde está
E o convívio consigo mesmo vai se tornando insuportável
Seus medos vão além dos dentes do tubarão
Eles estão em cada nuvem
Em cada nuvem e sorrisos e beijos
Em cada lágrima de sonhos que desfazem sua própria luz
Em cada lágrima de sonhos que o guiam
E o fazem voltar à água
Vejo tempo passar
E as pessoas mudando
Plantas crescendo
Mas o peixe continua onde está
E o convívio consigo mesmo vai se tornando insuportável
Seus medos vão além dos dentes do tubarão
Eles estão em cada nuvem
Em cada nuvem e sorrisos e beijos
Em cada lágrima de sonhos que desfazem sua própria luz
Em cada lágrima de sonhos que o guiam
E o fazem voltar à água
Sunday, June 17, 2007
Poema Dor-de-cotovelo
Do amor, sobraram apenas cicatrizes
Da música, a nota que desafinou
Os presentes foram guardados no armário
E as fotos, rasgadas
O vinho ainda fechado no canto da cozinha
Mas as lembranças, essas insistem em existir
Enchendo o peito de naftalina e dor
E, agora, todas as canções de amor fazem sentido.
Da música, a nota que desafinou
Os presentes foram guardados no armário
E as fotos, rasgadas
O vinho ainda fechado no canto da cozinha
Mas as lembranças, essas insistem em existir
Enchendo o peito de naftalina e dor
E, agora, todas as canções de amor fazem sentido.
Thursday, April 12, 2007
sem título - apenas orgânico demais
Quando o desespero toma conta de você
E o inconsciente torna-se
mais saudável,
mais forte
e mais consciente
que o próprio consciente.
Quando se precisa de uma mão
para emergir e respirar fundo
E a única mão que se vê é a sua própria
querendo te superficializar,
trazendo à pele os machucados internos
como uma maneira de acabar com o que te deixa cada vez mais fundo.
O que não parece ter solução
apenas quer um pouco de paz
E isso lhe basta para se resolver.
Mas se as mãos insistem em machucar,
a única construção que elas são capazes de fazer,
destróem
E tornam o amor maravilhosamente anestésico,
o carinho um vício.
Se desvencilhar desse lodo,
dessa areia movediça
pode parecer impossível
até que se perceba que
"querer agir é necessáriamente o mesmo que ser livre."
E o inconsciente torna-se
mais saudável,
mais forte
e mais consciente
que o próprio consciente.
Quando se precisa de uma mão
para emergir e respirar fundo
E a única mão que se vê é a sua própria
querendo te superficializar,
trazendo à pele os machucados internos
como uma maneira de acabar com o que te deixa cada vez mais fundo.
O que não parece ter solução
apenas quer um pouco de paz
E isso lhe basta para se resolver.
Mas se as mãos insistem em machucar,
a única construção que elas são capazes de fazer,
destróem
E tornam o amor maravilhosamente anestésico,
o carinho um vício.
Se desvencilhar desse lodo,
dessa areia movediça
pode parecer impossível
até que se perceba que
"querer agir é necessáriamente o mesmo que ser livre."
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